6 Comentário

"As indesejadas" - Conheça a história das meninas abandonadas na Índia porque seus pais esperavam um menino

De acordo com um novo relatório do governo da Índia, a preferência do país por filhos em vez de filhas levou ao nascimento de milhões de garotas "indesejadas". Embora pareça absurdo, a tendência dos casais de continuar tendo filhos até que um menino nasça levou a cerca de 21 milhões de meninas que não recebem nenhum tipo de tratamento de saúde, de acordo com o Economic Survey 2017-18. Essa preferência por meninos e a disponibilidade de operações sexuais seletivas, embora ilegais na Índia, significam que há uma brecha entre gêneros de até 63 milhões de meninas, classificadas no relatório como "desaparecidas".

Como resultado, a Índia tem uma das desproporções sexuais mais tendenciosas do mundo. Por cada 107 homens nascidos no país, existem apenas 100 mulheres. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a proporção natural é de 105 homens por cada 100 mulheres. O principal autor do relatório, o conselheiro econômico Arvind Subramanian, disse que, embora tenham sido feitos progressos em algumas áreas, a "preferência social mais forte por meninos" é difícil de ser mudada. Este costume profundamente enraizado é devido às regras que regem a herança, a prática contínua de pagar um dote para que as mulheres se casem e as mulheres quem se juntam à família do marido.

Na página seguinte, entenda as consequências negativas dessa cultura.

De acordo com o relatório, 55% dos casais que têm uma menina vão tentar novamente ter um menino, e eles continuarão até conseguirem. O documento é mencionado como uma "regra para parar a fertilidade". Subramanian disse à NDTV que a decisão de ter mais bebês até que um menino nascer compensou o número de meninas perdidas por infanticídio, seleção de sexo e sobrevivência diferencial: a diferença nas taxas de mortalidade entre meninos e meninas. Muito mais mulheres morrem do que homens durante a primeira infância. "As famílias dizem: se tivermos um filho do sexo masculino, paramos e, se não, continuamos", disse Subramanian.

Atualmente, estima-se que mais de 630 mil meninas de 0 a 6 anos desaparecem na Índia a cada ano. A maioria sofre abortos, outras são assassinadas, abandonadas ou mortas só porque são meninas. As raízes deste problema estão em uma forte sociedade patriarcal que foi formada numa preferência para os homens porque eles mantêm o nome da família e ajudam no trabalho. Acredita-se que, a cada 50 segundos, um pai mata sua filha na Índia de várias maneiras: abandonada, enterrada viva, envenenada, apedrejada, sufocada ou morta de fome.

Para saber mais detalhes sobre este grave problema, continue na página seguinte.

Além disso, as razões pelas quais os pais decidem acabar com a vida de suas filhas são: porque acreditam que não ajudarão com o trabalho, porque eles não continuarão com o nome da família, porque eles precisarão de um dote caro para a família do noivo ou porque eles vão se mudar e não cuidarão de seus pais na velhice. "Nós podemos aceitar a primeira garota, mas a segunda garota deve ser morta para que o terceiro bebê possa ser um menino", disse Rassamal, um curandeiro tradicional que muitas vezes dá conselhos às famílias sobre como matar meninas indesejadas.

Em geral, a primeira garota pode viver. Eles até tendem a respeitar a vida de uma menina que nasceu depois de um menino, devido à proporção biológica (há muito menos mulheres do que homens). No entanto, em famílias com uma filha primogênita, um segundo filho é muito menos propenso a nascer, para não mencionar o terceiro. Como as famílias só podem pagar um único dote devido à pobreza, não querem ter mais de uma filha. Note-se que o pagamento de dotes é ilegal na Índia desde 1961 (Lei de Proibição), mas a prática ainda acontece em certas castas, religiões e níveis educacionais.

Na página seguinte, confira como o país está lidando com o problema.

"As piadas que eu tive que enfrentar por parte da sociedade e os meus sogros me forçaram a ter um aborto quando eu não ia ter um filho", disse uma mulher de Rohtak (Haryana), de uma família "educada" e rica. As chances de sobrevivência de uma segunda menina depois de terem tido uma primeira são menores se a família tiver uma boa educação e for rica. Essas famílias vivem em áreas urbanas onde têm acesso a ultra-som e podem pagar o preço da intervenção. Embora a detecção pré-natal do sexo do bebê e o aborto sejam ilegais, muitas clínicas ainda oferecem esses serviços.

Por outro lado, nas comunidades mais pobres, onde não há muitas clínicas que oferecem ultra-som, as meninas tendem a ser abandonadas ou mortas logo após o nascimento, ou são "perdidas" devido às muitas negligências médicas. "Nós conhecemos um médico durante os exames que sugeriu que eu remova o feto. As próximas duas vezes também deram certo", disse Renu de Chandigarh (Punjab e Haryana), que abortou quatro vezes em cinco anos. O número de meninas desaparecidas aumentou entre 2001 e 2011, tornando-se um problema substancial no noroeste da Índia. À medida que a economia indiana cresce, uma nova classe média está emergindo. Essas famílias querem menos crianças e preferem que os homens continuem seus negócios.

O que você acha disso? Se gostou deste artigo, nos deixe um comentário, compartilhe com todos e nos acompanhe também no Instagram!
Fotos: Twitter

23
O que você acha?! Juntar-se à conversa
Agora vai: Simpsons fazem previsão de que Brasil será Hexacampeão!
18/03/18 07:03
Até quando confundirão essa barbárie com cultura?
16/03/18 07:03
Quanta injustiça..... não consigo falar...!
16/03/18 07:03
Horrorizada com isso tudo.
16/03/18 07:03
O Povo de Deus, sendo Afrontados!!!! Até quando?"Maria", proteja as tuas filhas....!
16/03/18 07:03
Esses vermes machistas ainda põem a culpa nas mulheres, sendo que é da parte do homem a definição do sexo do bebê.
16/03/18 07:03
Em pleno séc. 21, uma vergonha !