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"Criadazgo": Crianças que estão sendo escravizadas sob o pretexto de adoção

Criadazgo é o nome de uma prática muito comum no Paraguai, que nada mais é do que quando famílias pobres enviam seus filhos para viverem como criados em casas de famílias ricas, em troca de educação e cuidados básicos para essas crianças. Elas são adotadas por estas famílias, mas nunca chegam a pertencer a elas de fato. Essa é uma prática comum e aceita como normal naquele país, mas que depois da morte de uma destas “criaditas” entrou em discussão naquele país. Até que ponto isso está certo e pode ser aceito?

Uma menina morreu por conta dos ferimentos causados por uma surra que levou de seu patrão, que utilizou um galho de goiabeira para bater na garota de apenas 14 anos, após vê-la beijando um rapaz. O caso aconteceu numa cidade a 240kmde Assunção e levantou um debate parlamentar e foi o primeiro passo para um projeto que visa proibir essa prática no Paraguai. Esse tipo de “adoção” é aceito socialmente há décadas, e somente agora, com a morte da menina, o debate sobre o assunto está acontecendo.

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Estima-se que existam hoje no Paraguai 47.000 crianças e adolescentes vivendo esse tipo de situação degradante. Segundo Mabel Benegas, responsável pelas políticas públicas da ONG paraguaia Global Infância, essa prática foi muito ampliada após duas grandes guerras que o país experimentou: a Tríplice Aliança (1864) e o Chaco (1932). "As mulheres tiveram que se encarregar de criar seus filhos, então, como forma de lidar com essa situação de pobreza, eles tiveram que recorrer a essa prática." A população de homens diminuiu drasticamente no Paraguai após essas guerras.

Segundo ela, no começo era um acordo familiar, e as crianças iam para a casa de parentes para poder estudar, pois no interior do país, nas regiões rurais do Paraguai o sistema de ensino era muito escasso. Mas isso foi se perdendo ao longo do tempo e crianças passaram a ir para a casa de desconhecidos. E também o que mudou é que nem todas as crianças vão para a escola, pelos mais diversos motivos. Dentre eles está o fato de que algumas delas trabalham das 5 da manhã até 10 horas da noite, com 2 horas de descanso.

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Os dados são da UNICEF e dizem que 45% das crianças em situação de criadazgo trabalham todos os dias da semana e 26% delas só tem 2 horas de descanso. Uma criança que vive nestas condições não vai ter qualquer estímulo para se manter na escola, pois quando chega para estudar está exausta. Outra razão para o abandono da escola é que muitas destas crianças chegam à escola falando somente guarani e como o ensino é em espanhol elas ficam para trás e desistem. De qualquer forma o criadazgo é uma forma de escravidão, condenável ainda mais por se tratarem de crianças em condições desumanas.

E ao contrário de como o criadazgo é visto no Paraguai, ele não é uma forma de adoção. Não há transferência de tutela, são crianças que são simplesmente transferidas para outras famílias e que trabalham o dia todo, e o governo do Paraguai declarou que é uma forma perigosa de trabalho infantil. Carlos Zárate, ministro da Secretaria Nacional da Criança e do Adolescente, alerta que por trás dessa prática existem vários perigos ."Uma criança em uma situação criadazgo tem uma alta probabilidade de ser vítima de abuso e abuso sexual, o que poderia ser considerado um prelúdio para a exploração sexual ".

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Dificuldades para acabar com essa prática

No caso do criadazgo, muitas pessoas acreditam que é uma maneira de fazer o bem a uma criança. No Parlamento também há figuras que acreditam que, em qualquer caso, é uma situação que deve ser reformada, mas não eliminada. Quando, há uma década, a Global Infância lançou uma campanha destinada a receber as famílias para se conscientizarem de que os "criaditos" tinham que ir à escola e tinham que ter os mesmos direitos que os filhos da casa, a resposta não foi favorável. Muitas famílias deixaram de querer as crianças devido à possibilidade de serem supervisionadas.

"O Estado e a sociedade devem trabalhar para apoiar as crianças que continuam a sua família e para garantir a reintegração familiar o mais rapidamente possível. Se isso não for possível, então há formas de adoção, mas a solução não é a criadazgo ", avalia o representante da UNICEF no Paraguai.” A mudança social que procuramos vai não ser dada somente através de uma lei que pune determinado comportamento, mas por meio de políticas públicas que ajudam a capacitar as pessoas a sair da pobreza e ter os seus direitos. Temos de criar as condições necessárias para que a criança não seja separada de sua família de origem”, disse ele.

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Imagens: Twitter/Pixabay

7
O que você acha?! Juntar-se à conversa
Fotos tão estranhas que podem ser a definição da falta de noção
19/05/18 06:03
Noss, que triste Branka Reis Rockee! Era pra criança mudar de vida
19/05/18 06:03
Paula Rodrigues
18/05/18 06:03
Jesus que tristeza
19/05/18 06:03
Noss, que triste Branka Reis Rockee! Era pra criança mudar de vida
19/05/18 06:03
Paula Rodrigues
18/04/18 06:03
Que tristeza isso, Barbara Cardoso, as crianças saem de uma situação de abandono pra outra de exploração. Cadê a vida digna para elas ?
18/04/18 06:03
Quanto desamor,que o universo de alguma forma as proteja!
17/04/18 06:03
Não é só no Paraguai aqui também pegam crianças para criar as vezes ilegalmente para servir de empregada.
18/04/18 06:03
Que tristeza isso, Barbara Cardoso, as crianças saem de uma situação de abandono pra outra de exploração. Cadê a vida digna para elas ?