0 Comentário

Jornal russo ofende mulheres e causa revolta

A Copa do Mundo está acontecendo na Rússia e mesmo antes de os jogos começarem surgiram polêmicas com relação ao comportamento das mulheres daquele país, como orientações dadas pelo governo da Rússia, orientando para que elas não fizessem sexo com torcedores que não fossem brancos, para evitar que haja uma grande quantidade de crianças não brancas no futuro. Segundo o governo, isso acarretaria em crianças que dificilmente se integrariam a comunidade russa.

Começado o campeonato, já tivemos notícias de mulheres sendo assediadas por torcedores, inclusive alguns casos bastante repercutidos de brasileiros envolvidos em casos de assédios com mulheres russas. Esse fato foi bastante discutido e com certeza ainda teremos que falar muito sobre esse tipo de comportamento, uma vez que algumas pessoas ainda não entendem que todos merecemos respeito, e fazer piadas com alguém que não entende a língua, ainda pedindo para que essas pessoas repitam conteúdo de cunho sexual.

Mas a sociedade russa também é muito machista, e uma publicação de lá está gerando muita repercussão. Um jornalista, que escreve para uma das maiores publicações da Rússia está chamando as mulheres russas de puta, por causa do comportamento sexual das mulheres com relação aos estrangeiros que estão na Rússia por conta do campeonato. O título é "A hora das putas: as russas se envergonham e envergonham o país na Copa", e demonstra como a sociedade russa trata as mulheres.

"Nas cidades onde têm a Copa do Mundo, muitas russas se comportam como prostitutas na frente dos estrangeiros. As mais espertas colocaram anúncios nos sites de relacionamento. Claro que muitas mulheres procuram estrangeiros por dinheiro, outras procuram o casamento. Mas tem mulheres que estão prontas para dormir com estrangeiros de forma gratuita só porque são estrangeiros. Podemos dizer que dá vergonha. Muitas mulheres nem conhecem o sentimento de vergonha. Muitas mulheres que correm atrás dos estrangeiros não têm vergonha, moral e valores. Nós criamos uma geração de putas prontas para abrir as pernas ao escutar algum sinal de idioma estrangeiro", escreveu o jornalista.

"Hoje em dia, esse comportamento é cultivado e se vender não é vergonha. Vergonha é trabalhar como enfermeira simples no hospital e ganhar 9 mil rublos. As redes sociais têm muitos vídeos onde meninas jovens e não tão jovens se comportam como prostitutas com responsabilidade social baixa. O caso menos grave é o de um torcedor brasileiro que paga a uma menina num clube da cidade de Rostov por 5 minutos de esfrega-esfrega. Ou por exemplo aquele dos torcedores poloneses fazendo sexo oral em uma menina russa numa banca no centro da cidade, enquanto as pessoas que estão passando gritam 'que nojento' e outros riam. O mais horroroso nesse vídeo é o fato que a russa também está bebendo Coca-Cola e vodca".

Fica claro que ele ataca a liberdade das mulheres em se relacionarem com quem quiserem, como se uma mulher não pudesse ter relações sexuais com quem quiser, independente do homem ser russo ou estrangeiro, como se ela estivesse sempre interessada em alguma coisa em troca que não fosse o próprio prazer. Fica claro que existe uma tentativa de fazer com que a mulher russa se sinta culpada pela imagem negativa que o país tem no exterior, como se o comportamento delas fosse depravado ou imoral.

Ele cita no artigo um post que uma rede russa de fast food fez, onde oferecia 180.000 reais e sanduíches ilimitados para as mulheres russas que ficassem grávidas de jogadores de futebol durante a Copa do Mundo. O post gerou muita polêmica e foi apagado pouco tempo depois, mais isso não muda o fato de que não são as mulheres responsáveis por esse tipo de pensamento, mas sim uma sociedade machista que coloca as mulheres num papel de submissão e subserviência com relação aos homens.

O artigo gerou revolta das mulheres russas, e elas denunciaram o machismo e o preconceito presente nas palavras do jornalista, que se defendeu com a seguinte frase: “Eu vi muitos comentários de mulheres indignadas no meu artigo "A geração das putas". Ele supostamente degrada sua dignidade. Não, meu artigo não degrada sua dignidade, mas a imagem de uma mulher como uma prostituta, que é cultivada em nossa sociedade: de revistas de moda a talk shows populares. Pareça uma prostituta, seja sexy - venda-se para o sucesso”. Bem, o machismo não é privilégio brasileiro...

Se gostou deste artigo, nos deixe um comentário, compartilhe com todos e nos acompanhe também no Instagram!
Imagens: Twitter/Pixabay

1
O que você acha?! Juntar-se à conversa
Acabe com a Insônia em Apenas 1 Minuto Com Um Simples Exercício