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Publicado 2018-10-09
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Lista suja do trabalho escravo no Brasil denuncia 209 empresas no Brasil

Recentemente o Ministério do Trabalho publicou uma atualizada "lista suja" do trabalho escravo. São 209 empresas denunciadas pelo crime. Você pode conferir a relação aqui. Os dados falam que de 2005 até 2018, 2.879 empregados tiveram que exercer atividades laborais sob condições degradantes e desumanas, o que configura o trabalho escravo. Na lista atual, há pelo menos 50 novas empresas que não estavam no cadastro anterior.

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Outra coisa que o relatório trouxe de novo foi o caso de uma pessoa que teve que ser resgatada de onde exercicia a função de empregada doméstica. Além deste novo, há 40 anos foram feitos resgates do tipo na Bahia e Roraima. Voltando ao conteúdo do lista, uma das companhias enquadradas como trabalho escravo é a Indústria Brasileira de Bebidas S.A, que produz a Coca-Cola, outro famoso grupo flgrado é o Via Veneto, responsável por marcas como Brooksfield e Harry's, que tem lojas por todo o país. A lista atual traz empregadores urbanos e rurais. Ainda não há como determinar o perfil das vítimas.

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Algumas coisas que já sabe-se sobre o perfil das pessoas encontradas em condições de trabalho escravos é que têm baixa escolaridade e estão em situação de pobreza. A lista atual traz empregadores que tiveram direito de defesa, porém o processo encontra-se encerrado. O que a legislação brasileira considera trabalho escravo? Primeiramente é toda atividade forçada na qual a pessoa não pode deixar o ambiente de trabalho. Isso permeado por condições degradantes e ainda jornadas impraticáveis. E isso deve ser denunciado pelo empregador que sentir-se prejudicado.

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Outra forma muito comum de escravidão no Brasil diz respeito a servidão por dívida, que é quando o empregado é proibido de ir embora até que ele pague uma dívida alegada pelo empregador. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 2017, feita em parceria com a Fundação Walk Free, ao menos 25 milhões de pessoas foram vítimas de trabalhos forçados no ano de 2016. Se alguém precisar de denunciar, o Ministério Público do Trabalho tem em seu site um canal para registro, que pode ser feito anomimante, de crimes relacionados à escravidão. Clique aqui para acessá-lo.

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Não perca o novo vídeo do nosso canal do Youtube! Sabe aquela ideia que as pessoas têm de filme de Bang-Bang com um caubói forasteiro habilidoso duelando com um assaltante de banco no meio da cidade? Ou de pessoas brigando em bares e sendo arremessadas na água dos cavalos? Bem, talvez não tenha sido bem assim... Confira neste vídeo os mitos em que muitos acreditam sobre o Faroeste, mas estão longe da realidade:

"Criadazgo": Crianças que estão sendo escravizadas sob o pretexto de adoção

Criadazgo é o nome de uma prática muito comum no Paraguai, que nada mais é do que quando famílias pobres enviam seus filhos para viverem como criados em casas de famílias ricas, em troca de educação e cuidados básicos para essas crianças. Elas são adotadas por estas famílias, mas nunca chegam a pertencer a elas de fato. Essa é uma prática comum e aceita como normal naquele país, mas que depois da morte de uma destas “criaditas” entrou em discussão naquele país. Até que ponto isso está certo e pode ser aceito?

"Criadazgo": Crianças que estão sendo escravizadas sob o pretexto de adoção

Uma menina morreu por conta dos ferimentos causados por uma surra que levou de seu patrão, que utilizou um galho de goiabeira para bater na garota de apenas 14 anos, após vê-la beijando um rapaz. O caso aconteceu numa cidade a 240kmde Assunção e levantou um debate parlamentar e foi o primeiro passo para um projeto que visa proibir essa prática no Paraguai. Esse tipo de “adoção” é aceito socialmente há décadas, e somente agora, com a morte da menina, o debate sobre o assunto está acontecendo.

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Estima-se que existam hoje no Paraguai 47.000 crianças e adolescentes vivendo esse tipo de situação degradante. Segundo Mabel Benegas, responsável pelas políticas públicas da ONG paraguaia Global Infância, essa prática foi muito ampliada após duas grandes guerras que o país experimentou: a Tríplice Aliança (1864) e o Chaco (1932). "As mulheres tiveram que se encarregar de criar seus filhos, então, como forma de lidar com essa situação de pobreza, eles tiveram que recorrer a essa prática." A população de homens diminuiu drasticamente no Paraguai após essas guerras.

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Segundo ela, no começo era um acordo familiar, e as crianças iam para a casa de parentes para poder estudar, pois no interior do país, nas regiões rurais do Paraguai o sistema de ensino era muito escasso. Mas isso foi se perdendo ao longo do tempo e crianças passaram a ir para a casa de desconhecidos. E também o que mudou é que nem todas as crianças vão para a escola, pelos mais diversos motivos. Dentre eles está o fato de que algumas delas trabalham das 5 da manhã até 10 horas da noite, com 2 horas de descanso.

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Os dados são da UNICEF e dizem que 45% das crianças em situação de criadazgo trabalham todos os dias da semana e 26% delas só tem 2 horas de descanso. Uma criança que vive nestas condições não vai ter qualquer estímulo para se manter na escola, pois quando chega para estudar está exausta. Outra razão para o abandono da escola é que muitas destas crianças chegam à escola falando somente guarani e como o ensino é em espanhol elas ficam para trás e desistem. De qualquer forma o criadazgo é uma forma de escravidão, condenável ainda mais por se tratarem de crianças em condições desumanas.

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E ao contrário de como o criadazgo é visto no Paraguai, ele não é uma forma de adoção. Não há transferência de tutela, são crianças que são simplesmente transferidas para outras famílias e que trabalham o dia todo, e o governo do Paraguai declarou que é uma forma perigosa de trabalho infantil. Carlos Zárate, ministro da Secretaria Nacional da Criança e do Adolescente, alerta que por trás dessa prática existem vários perigos ."Uma criança em uma situação criadazgo tem uma alta probabilidade de ser vítima de abuso e abuso sexual, o que poderia ser considerado um prelúdio para a exploração sexual ".

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Dificuldades para acabar com essa prática

No caso do criadazgo, muitas pessoas acreditam que é uma maneira de fazer o bem a uma criança. No Parlamento também há figuras que acreditam que, em qualquer caso, é uma situação que deve ser reformada, mas não eliminada. Quando, há uma década, a Global Infância lançou uma campanha destinada a receber as famílias para se conscientizarem de que os "criaditos" tinham que ir à escola e tinham que ter os mesmos direitos que os filhos da casa, a resposta não foi favorável. Muitas famílias deixaram de querer as crianças devido à possibilidade de serem supervisionadas.

Dificuldades para acabar com essa prática

Dificuldades para acabar com essa prática

"O Estado e a sociedade devem trabalhar para apoiar as crianças que continuam a sua família e para garantir a reintegração familiar o mais rapidamente possível. Se isso não for possível, então há formas de adoção, mas a solução não é a criadazgo ", avalia o representante da UNICEF no Paraguai.” A mudança social que procuramos vai não ser dada somente através de uma lei que pune determinado comportamento, mas por meio de políticas públicas que ajudam a capacitar as pessoas a sair da pobreza e ter os seus direitos. Temos de criar as condições necessárias para que a criança não seja separada de sua família de origem”, disse ele.

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Imagens: Twitter1/ Twitter 2 / Twitter 3 / Pixabay

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